quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009

Natal é Cristo no Coração.

Bonhoeffer, a Ética e o Natal

Dietrich Bonhoeffer escreveu sobre a Ética, sobre esta e o Advento de Jesus. Antes que o nazismo lhe secasse a verve e a vida. Ele considerou que era a obra da sua vida, contra a «grande mascarada do mal» que durante dez anos na Alemanha perverteu um povo e seduziu igrejas.Morreu num campo de concentração nazi, regime em estertor e a dar as últimas, a dois passos da libertação pagou com a vida o preço do seu pensamento, no campo de Flossenburg em Abril de 1945. Para além de grande teólogo, do ramo cristão protestante, foi uma grande testemunha do seu útimo tempo, um tempo europeu sem Ética, numa Europa com fundamentos. Todo o livro designado pela editora portuguesa como Ética, de resto o título original( Ethik), está estruturado em textos do teólogo redigidos entre 1940 e 1943, os tais anos em que a Europa de Schiller ou Goethe, Haydn ou Beethovem, caiu na bárbarie e perdeu essa Ética, com a qual edificou uma Cultura de Valores e do Espírito designadamente na Alemanha. Bonhoeffer, como outros téologos e alguns autores de pensamento literário, compreenderam na perfeição essa gravíssima perda desse período europeu. As suas palavras foram no sentido de testemunhar o valor do homem, não por si próprio, mas pela sua ligação imprescindível ao divino. Como tal, escreveu a propósito do Advento, do tempo de Natal, que só ele – «o Advento trará a plenitude do ser-homem e do ser-bom. Mas o Senhor que vem irradia já sobre estes uma luz, a luz exigida para a preparação e a espera adequadas. Por isso, só a partir do Senhor que vem e que veio podemos saber o que é ser-homem e ser-bom.» O Natal transporta em si mesmo desde a primeira narrativa conhecida a partir dos Evangelhos como Mateus e Lucas, uma Ética que coloca o Homem, crente ou não, na presença insuspeitada do Divino.É na Revelação do Deus que Lutero dizia estar «Absconditus», mas que o Menino de Belém veio revelar e colocar em contacto com a humanidade, que a tal Ética cria valores e ergue o Homem. Deu-lhe a dimensão de que Bonhoeffer fala de poder ser-homem e ser-bom. Por esta razão é incompreensível que o homem limite o Advento a estruturas meramente simbólicas e materialistas.Simbólicas, porquanto o Natal se apresenta num registo que deixa por vezes o plano da religião, como início do Cristianismo, e passa para o plano social, estritamente com os horizontes limitados a troca de presentes, por exemplo, e focado numa festa anual da família; e materialistas porque cede demasiadamente ao apelo do consumismo. E o que dizer de outros exemplos, que nem são simbólicos nem materialistas, no sentido que lhes dei, e que estão hoje nos hábitos das estruturas partidárias? A verdade é que fazem o seu «simbólico» jantar de Natal onde o que passa para a sociedade civil, pela pronta e necessária avidez dos meios de comunicação social, é a luta política na relação do discurso explícito Oposição versus Governo. Sem tréguas natalícias. O mesmo Dietrich Bonhoeffer escreveu, na sua derradeira obra – Resistência e Submissão (Cartas da Prisão) – «que o Cristianismo surge do encontro com um ser humano concreto: Jesus.».Hoje o Natal passou a ser a figura simbólica das ruínas da ética dita cristã, subsititui-se a Jesus Cristo, é só o Natal.Salva-O o melhor do mundo, que são as crianças, como o reconhecia Fernando Pessoa, salvam o Natal as crianças, mesmo contra o marketing violento que as atinge.

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(Fonte: João Tomaz Parreira, Diário de Aveiro)
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Ab-Integro: de Repente já Um Ano

Faz um ano, hoje, 23 de Dezembro, que este Blogue, o Ab-Integro, se deu a conhecer pela primeira vez. Correu depressa, o tempo. Se nos tivessem dito então que, percorrido este tempo, iríamos alcançar um total de perto de vinte mil acessos, seria difícil imaginar tal meta, especialmente tratando-se de um Blogue de matriz cristã em que a principal preocupação não é que o seu editor fale de si próprio, da sua vida, dos seus anseios, preocupações ou desafios, mas sim que seja um ponto de encontro, um veículo de comunicação, um espaço alargado de reflexão fundado sobre a integridade da vida, da visão e da esperança cristã. O nosso desiderato é, em primeiro lugar, que o Ab-Integro cumpra esse objectivo; depois, que possa ser uma casa comum onde todos os que o acessam se sintam bem. Claro que tem, este Blogue, uma personalidade própria, e isso está presente mesmo que os temas abordados ou mesmo que uma parte dos textos editados não sejam da nossa autoria ( respeitando sempre escrupulosamente as fontes ). Há um fio condutor, um perfil próprio que o define e o baliza e a que são transversais vectores tão importantes quantos os que são determinados pelas artes, a cultura, a astronomia, a história, as ciências, a arqueologia, a vida, o planeta, as pessoas, as religiões, a igreja cristã, para além de outros. Mas há uma Trave Mestra que nos suporta e anima nesta caminhada: Jesus Cristo nosso Senhor e Salvador. Ele é o mentor do Ab-Integro e sua máxima referência, o bastião em que nos resguardamos, a Razão pela qual chegámos até aqui e pela qual queremos continuar a caminhar. Até hoje muitos têm sido os amigos e companheiros que nos têm animado a proseguir não deixando nunca de nos incentivar. Colaborações, como a do poeta, e meu amigo João Tomaz Parreira, escritor e pensador cristão-evangélico notável, reconhecido não só em Portugal mas igualmente além-fronteiras, honram não só o Ab-Integro como a mim próprio. O meu coração dilata-se em gratidão a Deus e a tantos quantos os que, de uma ou de outra forma, têm tornado possível esta "aventura", mesmo se a caminhada encontrou alguns escolhos. Oxalá que os desafios que temos pela frente, com a continuada edição do Ab-Integro, nos permitam estar à altura dos mesmos com toda a dignidade e com os olhos postos nAquele que é Luz e Vida para nós. Recuperamos, abaixo, partes do texto que editámos, faz precisamente um ano hoje, em 23 de Dezembro de 2008, e que servia de mote ao lançamento do Ab-Integro nessa data. Com a vossa ajuda, continuaremos no Caminho que nos trouxe. Grato no Amor de Cristo,
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Jacinto Lourenço
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"...Colocar na "rede" uma página pessoal é forçosamente um atitude que requer ponderação. Desde logo, sobre o interesse que tal página possa vir a ter para uma comunidade alargada de "internautas" onde, como é óbvio, navegam mil e um olhares e motivações distintos. A certeza de que deveria avançar para uma divulgação mais célere, acabou por se revelar através de uma descoberta, no meio de "sombras e luzes", de qual o objectivo, qual o alvo ou alvos para o meu Blogue. Em consequência dessa descoberta, a deslocação dos holofotes do eventual interesse sobre mim próprio, ou daquilo que eu valha ou tenha para dizer, para o que eu represento enquanto pessoa e cristão convicto da minha fé naquele que me redimiu, o Senhor Jesus Cristo, foi absolutamental natural . Não deixando de falar de mim ( o que comporta desde logo um "risco de exposição" com que não estou ainda familiarizado ), porque é o mínimo que pode ser feito para que esta página possa garantir autenticidade e verificação matricial dos valores e padrões nela encontrados por quem cá "deixar rasto", não sou eu que interesso em especial. Importante serão os conteúdos e a liberdade que teremos [...] para os abordar em afloramentos que provavelmente só serão possíveis em Fóruns como este. Os últimos 37 anos da minha vida têm sido balizados por Cristo. São as marcas que Ele tem deixado no meu percurso, que me animam, desafiam e incentivam a avançar. Tem sido sempre assim. O apóstolo Paulo, homem de Deus que aliou a sua grande visão e vivência espiritual a um percurso, também ele humano, de "combates", como metaforicamente afirmou nos seus escritos epistolares, disse a determinada altura aos cristão da Galácia: "Desde agora ninguém me inquiete porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus".
São essas marcas, indeléveis também em mim, que dão substância a esta decisão de divulgação pública do AB-INTEGRO ainda em 2008. São elas que determinam a minha forma de sentir, observar, intervir. O pulsar deste Blogue depende e dependerá sempre das "marcas" que ostento; da minha identidade, cidadania e filiação no Reino. O meu principal desiderato passa por ficar com a absoluta certeza de que a perspectiva que cruza esta página pessoal, em relação a tudo o que a ela vier, cumpre com a minha matriz e responsabilidade cristã, enquadradas sempre pelo amor de Deus e pelo Seu permanente compromisso de vinculação, renovação e actualização na vida de cada homem em particular e nas gerações que se sucedem. Um Deus de Luz, não quer escurecer o nosso caminho ou castigar-nos rigidamente em cada falha. Na essência, as suas "marcas" em nós, demonstram a capacidade infindável que Jesus tem para nos amar, mesmo quando o desiludimos, quais "Pedros" na voragem de acontecimentos fatídicos num qualquer pátio . Se um blogue poder ter uma dedicatória, então eu faço-a neste momento ao meu Senhor, à minha família, aos meus amigos e àqueles que se cruzem aqui comigo na construção desta "casa comum" . Procurarei honrar a todos, já que nem sempre será possível conjugar o verbo "agradar", seja por incapacidade, inépcia, impossibilidade ou imperativo ético, moral ou espiritual. Graça e Paz" ***
Jacinto Lourenço

terça-feira, 22 de Dezembro de 2009

Ceias de natal.

Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. Isaías 9:6

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Hoje de manhã, ao preparar-me para sair de casa, veio à minha mente este versículo bíblico. Como habitualmente faço, ouvia as primeiras notícias do dia na Antena 1 e, com elas, a de que os dois maiores partidos portugueses tinham realizado os seus jantares de natal, no mesmo dia, na mesma noite, a de ontem. Ora, como sou uma pessoa adulta, resolvida e medianamente inteligente, não estava à espera naturalmente que os dois líderes partidários se tivessem dedicado, mutuamente, poemas ou canções de natal, ou mesmo uma simples mensagem de boas festas. Mas também não esperava que o Natal, ou um simples jantar de natal, à volta do qual as pessoas normalmente se reunem para comer, beber e falar de tudo menos daquilo que é o Natal, viesse a servir de mote para que os líderes partidários, pessoas de quem devíamos esperar atitudes minimamente positivas por esta altura, se dirigissem mensagens, sim, mas de ataque pessoal e político, transmitindo desta forma, a ideia de que aquilo que conta não é o país ou as pessoas mas as suas intrigas político-palacianas, contrariando até o espírito deste natal “humanista” com que somos brindados pela sociedade mercantilista . Claro que não sou ingénuo, mas caramba, pelo menos que, nessa noite, em que juntam as suas hostes para um suposto jantar de natal, se coibissem de se digladiar e agredir e passar dessa forma mensagens negativas para a nação. Várias questões se colocam: desde logo saber como é que se pode confiar em alguém que nem por altura do Natal se coibe de trazer para terreiro todo o fel que nutre pelo seu adversário político ? Que mensagem passam à população, estes dois partidos, os que normalmente alternam no poder, e que utilizam a época natalícia para continuar a lavar a sua roupa suja ? Que expectativa podemos ter nós, portugueses, para o futuro do país, liderado por gente que não sabe avaliar, pelo menos, o significado de um jantar de natal em que, no mínimo, se pede contenção e decoro ? Decididamente ( embora já o soubéssemos ) a mensagem de Cristo, não traduz nenhuma expressão ou significado, que vá além da banalidade para a generalidade das pessoas que se juntam em ceias de natal que se multiplicam aos milhares nesta época. O texto bíblico do livro do profeta Isaías, que acima reproduzo e que foi escrito setecentos anos antes do nascimento de Cristo, não perdeu nenhuma actualidade e continua a apelar ao espírito de mansidão e concórdia, que é aliás o mesmo presente na mensagem de anunciação quando do nascimento de Jesus. Bom era que quando nos reunimos sobre a égide do Natal, à volta de uma mesa, pensássemos, por breves instantes, acerca do propósito que ali nos conduziu e que essa reflexão servisse para projectar uma mudança de coração e de postura face ao nosso próximo, nos tempos futuros. Há um conjunto de razões que justificam que eu não troque o calor da minha lareira e do convívio familiar, nas noites desta época, por qualquer “jantar de natal”; algumas dessas razões estão plasmadas neste texto.
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Jacinto Lourenço

domingo, 20 de Dezembro de 2009

O SALMO 139 - Uma perspectiva de John A.T.Robinson

É um salmo que trata sobretudo dos atributos de Deus e dos limites do Homem. Para o bispo anglicano era o salmo da profundidade de Deus.

Para nos ajudar a entender a incomensurável distância que vai entre esses atributos divinos e o homem limitado, o salmista usou uma linguagem poética com referentes e objectos comunicáveis, que o nosso espírito e a nossa mente podem compreender.

Situa-nos, por assim dizer, num Átomo divino, numa pequeníssima parte das faculdades distintivas e únicas de Deus, contudo distante do pensamento humano e usa um termo que viria séculos depois, dizendo que «tal conhecimento (ciência) é maravilhosíssimo».

Tal «ciência» (na versão das nossas Bíblias) ou o que o salmista entende como tal, reflecte o que o termo hebraico ( da’ath) significa e amplia: conhecer ou saber acima de.

Introduz também o leitor crente nos domínios da relação de Deus com a Sua Criatura, o homem, e, segundo alguns autores, o homem crente, porquanto o Senhor está ao redor daqueles que o temem e sobre eles coloca a Sua mão ( vs.6).

Não deixa, porém, de colocar a limitação do ser humano perante o Todo-Poderoso, ao pôr na boca do Eu poético estas palavras de resignação à condição humana: «Para onde me irei do teu Espírito ou para onde fugirei da tua face?» (vs.7)

Mais de vinte e cinco séculos depois da criação literária do Salmo 139, como uma produção do sentimento religioso, da inspiração espiritual e de uma categoria lírico-poética da literatura nacional hebraica, um bispo anglicano do século XX, John Albert Thomas Robinson, afirma que se trata de «uma meditação penetrante sobre a presença de Deus», no mundo que Ele próprio criou.

Escreveu para reforçar o que classificou de retorno ao que a Bíblia nos diz acerca da natureza de Deus, o seguinte: «É no salmo 139 que se encontra uma das meditações mais penetrantes, em toda a história da literatura, sobre o sentido e a presença de Deus. Nele perpassa, como em nenhum outro trecho, o sentido da maravilha suprema irresistível da omnipresença divina em todas as direcções – acima, abaixo, atrás e à frente.»(Um Deus Diferente, Morais Editora, 1967, págs. 70/1

É salmo que tem o locus classicus para a doutrina da omnipresença e da omnisciência de Deus.

Esta afirmação seria comum e resultante de uma normal análise de conteúdo do discurso poético do salmo em questão, não fosse ela pronunciada por quem foi, por isso não é um pronunciamento trivial.

A verdade é que, não sendo tal apreciação do bispo anglicano contestável, foi-o porém o seu autor enquanto uma totalidade personalizada numa marca teológica que colocava com honestidade intelectual e espiritual as suas dúvidas numa década especial, que foi a de 60.

«Às vezes, também eu me sinto assediado por estas dúvidas»- escreveu Robinson. No tempo em que se questionava se era de facto o vazio que muitos sentiam, «um vácuo em forma de Deus», especialmente na Europa pós-nazismo.

Tratava-se de um teólogo controverso e um dos criadores da teologia radical protestante dos anos 50 e seguintes. Não uma teologia heterodoxa, contrária ao Evangelho, mas radicada no que ele chamava um cristianismo de raiz ( daí o termo radical) que deveria chocar pelo radicalismo cristão, porque era, segundo ele e nós próprios ainda hoje, necessário apresentar o Deus da Bíblia ao homem hodierno que acha que não precisa de Deus, que Este está «lá em cima» ou em outro qualquer lugar e desinteressado dos problemas «cá de baixo», e do próprio homem.

Foi o mesmo teólogo e bispo de Woolwich, na Grã Bretanha, que proferiu um aforismo cristão genial, que a Igreja não deve estar tão longe do mundo que ninguém a ouça, nem tão dentro que não se distinga (citei de cor e sem referência).

A sua preocupação levou-o porém a defender algumas posições que acabaram por ser controversas, sustentando-se sobretudo no pensamento teológico de Rodolf Bultmann, que o homem secular já não admite que Deus é real nos nossos dias. E também que as Escrituras estão antiquadas quanto a fazerem compreender o ponto de vista de Deus presente no mundo tanto quanto Deus «lá em cima».

John A.T.Robinson marcou, de facto, o início da década de 60 ao radicalizar a teologia protestante e ao retomar a ideia luterana do Deus Absconditus.

Contudo, a partir do facto de que se trata de uma prova da presença de Deus no mundo, transcendente ao universo, mas imanente à Sua Criação, integra o salmo na sua mais polémica obra, Honest to God (Um Deus Diferente), de 1963, a contra-corrente, todavia como a mais perfeita doutrina da Omnipotência e da Omnisciência de Deus, que é o salmo 139.

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João Tomaz Parreira

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-Colaborador-

sábado, 19 de Dezembro de 2009

"A Subversão da Religião"

...Jesus, que não era sacerdote, mas leigo, teve de enfrentar a religião e os seus dirigentes, num conflito mortal, porque a religião e os seus dirigentes estavam mais interessados na religião do que na vida e porque "a religião pode ser e costuma ser uma ameaça, um perigo muito sério, para a vida e para a felicidade dos seres humanos". Condenaram-no à morte os dirigentes da religião oficial do seu tempo. Mas Jesus foi tão profundamente humano que "se pôs do lado da vida e deu vida, vencendo as forças da morte" [...]
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Prof. Anselmo Borges
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Ler todo o artigo AQUI no Diário de Notícias de 19 de Dezembro de 2009

Sobre o Amor

Não existe um investimento seguro. Amar é ser vulnerável. Ame qualquer coisa e o seu coração irá certamente ser espremido e possivelmente partido. Se quiser ter a certeza de mantê-lo intacto, não deve dá-lo a ninguém, nem mesmo a um animal. Envolva-o cuidadosamente em passatempos e pequenos confortos, evite todos os envolvimentos, feche-o com segurança no esquife ou no caixão do seu egoísmo. Mas nesse esquife – seguro, sombrio, imóvel, sufocante – ele irá mudar. Não será quebrado, mas vai tornar-se inquebrável, impenetrável, irredimível. A alternativa para a tragédia, ou pelo menos para o risco da tragédia é a danação. O único lugar fora do céu onde você pode manter-se perfeitamente seguro contra todos os perigos e perturbações do amor é o inferno.
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C. S. Lewis em “Os Quatro Amores” ***
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Via Solomon

sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009

"Templo de Isis emerge das Águas em Alexandria"

( Foto : jornal El Mundo )
Os tesouros arqueológicos ocultados pela baía de Alexandria, no Egipto, continuam a emergir das águas que os cobrem desde há mil anos. A última grande peça deste quebra-cabeças que se afundou há séculos, e que foi localizada e agora trazido do fundo, é parte de um pilar do templo Ptolomaico de Isis. […]
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Continuar a ler artigo AQUI , em Castelhano, no jornal El Mundo

"Ser César ou Nada"

( Foto in Púlpito Cristão )

A universalidade do desespero humano foi uma das principais análises existenciais de Soren Kierkegaard (1813-1855) sobre a complexidade da vida. Para este pensador que estabeleceu a existência individual como o centro de suas reflexões, o desespero humano é uma doença mortal, um morrer sem todavia morrer, a enfermidade do eu.O caminho do desesperado é "viver a morte a cada dia", tentando desesperadamente livrar-se do eu que não quer ser. Mas o suplício do homem distante de Deus é que não há meios de libertar-se de si mesmo. Nas palavras de Kierkegaard: "desesperar-se de si mesmo, querer, desesperado, libertar-se de si mesmo, essa é a fórmula de todo o desespero". O homem que se desespera de si, e quer libertar-se do seu eu, procura a libertação tentando ser um outro alguém. Brilhantemente Kierkegaard diz que esta ambição existencial pode ser comparada ao sujeito que diz: "Ser César ou nada". A tragédia armada, no entanto, é que se "não consegue ser César, desespera, e por não ter se tornado César que ele já não suporta ser ele mesmo".Penso que este desespero é acentuado quando orientamos nossa vida pela via da comparação, isto é, quando analisamos nossa existência em associação com alguém cuja vida é mais interessante e empolgante que a nossa. Como disse Brennan Manning: "Estou bem comigo mesmo até que eu me comparo com Madre Tereza". Isto não significa que não posso tê-la como exemplo ou referência (ninguém vive sem padrão referencial), mas o que passar disso é "doença mortal"."Todas as tentativas de medir o valor de nossa vida por meio de comparações com os outros depreciam os nossos dons e desonram a Deus por causa de nossa ingratidão" Viver a vida se comparando aos outros é viver uma vida desprovida de graça. Sim, pois quem vive o tempo todo comparando-se aos demais certamente trilhará o caminho mais rápido para o descontentamento. A via da comparação como regra existencial para a vida é um ato de auto-violência ao próprio ser. Ninguém que vive tempo todo se comparando pode desfrutar do que já é ou do que possui. Aquele que vive a comparar-se é um eterno insatisfeito.O meio de viver em paz com o eu é mergulhar pela fé no poder que o criou, isto é, Deus. A única forma de não perder o “eu”, deixando de existir, é livrar-se do desespero e reconciliar-se com a fonte desse “eu”, que é Deus. Pois de Deus recebemos tudo o que precisamos para viver em plenitude.
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Por Daniel Grubba
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quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009

"Sismo de 1755 Mudou a Vida de Voltaire"

( Foto : jornal Diário de Notícias )

Nasceu François-Marie Aroeut (1694-1778), mas o Mundo conhece-o por Voltaire. Tinha na perspicácia a sua melhor qualidade, que usou ao longo da vida para se tornar num conceituado filósofo, escritor e ensaísta. Tinha já mais de duas dezenas de obras publicadas quando em 1755 as suas mais profundas concepções filosóficas sofreram um abalo proporcional ao sismo que, então, atingiu Portugal. Com a catástrofe portuguesa, Voltaire viu ruir todas as suas concepções do Mundo vigentes à época, pois considerava que tal fenómeno jamais poderia ter ocorrido se a Terra fosse, como até esse momento se acreditava cegamente, uma mera criação divina, regulada pelos princípios de ordem e harmonia. Voltaire responde à desilusão com a mesma força com que esta se apoderara dele. Para isso usa “Cândido” (1759), uma comédia romântica que abre uma tensa controvérsia e qual Voltaire preferiu assinar com o pseudónimo “Monsieur le docteur Ralph” (Senhor Doutor Ralph). A Igreja Católica é o principal alvo da obra, através da qual o filósofo francês demonstra com humor que, após o terramoto que assolou Lisboa, só mesmo alguém muito ingénuo, muito cândido, poderia continuar a acreditar que vivia num mundo de bem, regido pela bondade e misericórdia de Deus. Alguns excertos de ”Cândido” (1759) “Cândido aproxima-se, vê o seu benfeitor que reaparece um momento à tona e é tragado para sempre. Quer lançar-se ao mar, mas Pangloss lho impede, provando-lhe que a enseada de Lisboa fora feita expressamente para afogar o anabatista. Enquanto o provava a priori, o navio parte-se ao meio e todos perecem, com exceção de Pangloss, de Cândido e do brutal marinheiro que afogara o virtuoso anabatista; o facínora nadou até à margem, onde Pangloss e Cândido arribaram, agarrados a uma tábua.” “Depois que se refizeram um pouco, encaminharam-se para Lisboa; restava-lhes algum dinheiro, com o qual esperavam salvar-se da fome, depois de haverem escapado à tempestade. Mal entravam na cidade, chorando a morte do benfeitor, quando sentem o solo tremer sob os seus pés; o mar, furioso, galga o porto e despedaça os navios que ali me acham ancorados. Turbilhões de chama e cinza cobrem as ruas e praças públicas; as casas desabam; abatem-se os tetos sobre os alicerces que se abalam; trinta mil habitantes são esmagados sob as ruínas. Assobiando e praguejando, dizia consigo o marinheiro: — Muito há que aproveitar aqui. — Qual poderá ser a razão suficiente deste fenómeno? — indagava Pangloss.” “Depois do tremor de terra que destruiu três quartas partes de Lisboa, os sábios do país não encontraram meio mais eficaz para prevenir uma ruína total do que oferecer ao povo um belo auto-de-fé; foi decidido pela Universidade de Coimbra que o espectáculo de algumas pessoas queimadas a fogo lento, em grande cerimonial, era um infalível segredo para impedir que a terra se pusesse a tremer. Tinham, pois, prendido um biscainho que se casara com a própria comadre, e dois portugueses que, ao comer um frango, lhe haviam retirado a gordura: vieram, depois do almoço, prender o Doutor Pangloss e o seu discípulo Cândido, um por ter falado e o outro por ter escutado com ar de aprovação: foram ambos conduzidos em separado para apartamentos extremamente frescos, onde nunca se era incomodado pelo sol; oito dias depois vestiram-lhe um sambenito e ornaram-lhe a cabeça com mitras de papel .
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In Diário de Notícias

quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009

O País no Sofá.

A história não é um sofá, é um trampolim”. Esta é uma frase que ouvi há dias numa entrevista a uma das pessoas responsáveis pela organização da “Guimarães capital da cultura 2012”. Não é nova , a frase, nem sequer representa a inovação de conceitos que lhe estejam subjacentes. Todos o sabemos, de que sem a compreensão e aceitação do passado, do nosso passado, dificilmente conseguiremos projectar o futuro. Guimarães, mesmo não sendo consensual, é assumida como o “berço” da nossa nacionalidade. Aceita-se ( ou não ) que daí se gizaram os planos de D.Teresa e depois D.Afonso Henriques, seu filho e primeiro rei de Portugal, para o alargamento do reino. Do mal o menos, que nessa altura ainda se faziam planos e o reino tinha objectivos, mesmo que tais objectivos não passassem, principalmente, pelos interesses colectivos da nação e sim pelos do rei e de alguns cavaleiros, enquanto senhores feudais. O que nos deve preocupar, actualmente, como nação, é a incerteza quanto ao nosso futuro, e não estou apenas a falar do futuro de um povo com uma identidade própria, mas sim da viabilidade de mantermos os fundamentos dessa identidade. Vem isto a propósito de hoje, aos microfones da Antena 1, ter sido dito que Portugal está a resvalar perigosamente para níveis de pobreza que o atiram para uma 3ª divisão da Comunidade Europeia, atrás mesmo de alguns países, mais empobrecidos que nós, antes da sua adesão à C.E. há meia dúzia de anos. Pelos vistos, basta-nos saber que agora temos um novo tratado europeu que irá ficar na história com o nome da capital do país, Lisboa. No entanto, arriscamo-nos a que daqui por mais alguns anos nenhum cidadão europeu saiba muito bem de que país Lisboa é capital pela simples razão de que esse país se tornou de tal modo irrelevante que ninguém dará por ele. Pelos vistos, temos aprendido muito pouco com a nossa própria história; e a nossa história, ao contrário do que os anais da generalidade dos reis nos falam, é feita mais de momentos menos bons do que de momentos bons, do ponto de vista colectivo. Mas sobrevivemos e mantivemos, apesar de tudo, a nossa identidade. E é por isso que nos dói, ainda mais, constatarmos que, precisamente nos últimos 23 anos, Portugal se tenha perdido irremediavelmente na justa medida em que perdeu as oportunidades de desenvolvimento social e económico que lhe têm sido arremessadas de bandeja. Constatamos afinal que, ao contrário do que alguns historiadores, que defendem nunca ter o país passado por um verdadeiro feudalismo à semelhança da generalidade da Europa na idade média, o que tivemos sempre foi um “feudalismo” feroz e em que, nos últimos anos, os recursos que a Europa desenvolvida canalizou para Portugal caíram na mão de alguns “senhores feudais”, os mesmos que agora se insurgem contra o aumento de 25 euros ao salário mínimo nacional e não o querem aceitar, mesmo que isso represente um aumento irrisório e continue a fazer de Portugal um dos países com o mais baixo salário mínimo na União Europeia. Ou seja: a história, em Portugal, foi sempre sofá e raramente trampolim, pelo menos para as sucessivas camadas dirigentes desde o 25 de Abril de 1974.
O que me falta saber é se, como povo, merecemos ou não isto, isto é: se não teremos nós próprios levado a que isto pudesse ter acontecido deixando dessa maneira de sermos vítimas mas culpados pelo futuro com que, com toda a legitimidade, a história se prepara para nos brindar.
Quem não quer sair do sofá, dificilmente se pode por em marcha. Quanto muito afunda-se na sua dor identitária, sempre a sonhar que Alcácer Quibir lhe resgate as perdas de sonhados impérios.
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Jacinto Lourenço

terça-feira, 15 de Dezembro de 2009

Phillip Yancey: "Como Deus Realmente É"

Brennan Manning: "Deus fará uma só Pergunta"

Desequilíbrio Espiritual

"Na espiritualidade desequilibrada, o que fica em primeiro plano é o moralismo. Logo de início apresenta-se uma ideia distorcida do relacionamento entre Deus e os seres humanos. Com os pais a criança aprende que existe uma divindade que desaprova a desobediência, as brigas entre irmãos e as mentiras. Quando vai para a escola, essa criança percebe que Deus está do lado dos professores com as suas exigências meticulosas. Na igreja, aprende que Deus tem outro conjunto de prioridades: aprende que ele não gosta de falta de crescimento numérico da congregação, da frequência irregular dos membros e das exigências financeiras que não estão a ser satisfeitas. Ao chegar ao ensino médio, ela descobre que Deus também está preocupado com a obsessão por sexo, com a bebida e com as drogas. Depois de vários anos de doutrinamento cristão em casa, na escola e na igreja, a criança, agora adolescente, percebe, com tristeza, que Deus foi usado como ameaça por todos os responsáveis pela sua educação - a exemplo do pai e da mãe que, já sem saber como lidar com as travessuras de uma criança, acabam com referências ao inferno ou a um castigo eterno. Através de um doutrinamento ignorante como este, Deus acaba por ser associado ao medo na maioria dos jovens corações." ***
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Brennan Manning ***
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( Do livro "Confiança Cega" págs. 90,91)

Decifrar os Mistérios da Bíblia

[ Titulo original do autor: "Decifrando os mistérios da Bíblia" ]

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“Agora vemos em espelho, de maneira obscura; então veremos face a face. Agora conheço em parte então conhecerei como também sou conhecido” (1 Coríntios 13:12).
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Naquela época, os espelhos não eram tão polidos quanto hoje. A imagem refletida no metal era distorcida pela sua superfície irregular. Por isso, era necessário que se buscasse uma posição de onde se pudesse ver com mais precisão.
As Escrituras Sagradas nos servem como espelho através do qual podemos ter um vislumbre de Deus.
O que podemos ver num espelho? Qualquer coisa para o qual ele esteja voltado. Assim é com as Escrituras. Ao lê-las, podemos enxergar através delas nossas próprias deformidades. Suas páginas revelam a ambigüidade da natureza humana, capaz de proezas e crueldades, virtudes e vícios.[...] *** *** Continuar a ler artigo AQUI no Blogue de Hermes Fernandes