quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009
Bonhoeffer, a Ética e o Natal
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Ab-Integro: de Repente já Um Ano
Faz um ano, hoje, 23 de Dezembro, que este Blogue, o Ab-Integro, se deu a conhecer pela primeira vez. Correu depressa, o tempo. Se nos tivessem dito então que, percorrido este tempo, iríamos alcançar um total de perto de vinte mil acessos, seria difícil imaginar tal meta, especialmente tratando-se de um Blogue de matriz cristã em que a principal preocupação não é que o seu editor fale de si próprio, da sua vida, dos seus anseios, preocupações ou desafios, mas sim que seja um ponto de encontro, um veículo de comunicação, um espaço alargado de reflexão fundado sobre a integridade da vida, da visão e da esperança cristã. O nosso desiderato é, em primeiro lugar, que o Ab-Integro cumpra esse objectivo; depois, que possa ser uma casa comum onde todos os que o acessam se sintam bem. Claro que tem, este Blogue, uma personalidade própria, e isso está presente mesmo que os temas abordados ou mesmo que uma parte dos textos editados não sejam da nossa autoria ( respeitando sempre escrupulosamente as fontes ). Há um fio condutor, um perfil próprio que o define e o baliza e a que são transversais vectores tão importantes quantos os que são determinados pelas artes, a cultura, a astronomia, a história, as ciências, a arqueologia, a vida, o planeta, as pessoas, as religiões, a igreja cristã, para além de outros. Mas há uma Trave Mestra que nos suporta e anima nesta caminhada: Jesus Cristo nosso Senhor e Salvador. Ele é o mentor do Ab-Integro e sua máxima referência, o bastião em que nos resguardamos, a Razão pela qual chegámos até aqui e pela qual queremos continuar a caminhar.
Até hoje muitos têm sido os amigos e companheiros que nos têm animado a proseguir não deixando nunca de nos incentivar. Colaborações, como a do poeta, e meu amigo João Tomaz Parreira, escritor e pensador cristão-evangélico notável, reconhecido não só em Portugal mas igualmente além-fronteiras, honram não só o Ab-Integro como a mim próprio.
O meu coração dilata-se em gratidão a Deus e a tantos quantos os que, de uma ou de outra forma, têm tornado possível esta "aventura", mesmo se a caminhada encontrou alguns escolhos. Oxalá que os desafios que temos pela frente, com a continuada edição do Ab-Integro, nos permitam estar à altura dos mesmos com toda a dignidade e com os olhos postos nAquele que é Luz e Vida para nós.
Recuperamos, abaixo, partes do texto que editámos, faz precisamente um ano hoje, em 23 de Dezembro de 2008, e que servia de mote ao lançamento do Ab-Integro nessa data. Com a vossa ajuda, continuaremos no Caminho que nos trouxe.
Grato no Amor de Cristo,
terça-feira, 22 de Dezembro de 2009
Ceias de natal.
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domingo, 20 de Dezembro de 2009
O SALMO 139 - Uma perspectiva de John A.T.Robinson
É um salmo que trata sobretudo dos atributos de Deus e dos limites do Homem. Para o bispo anglicano era o salmo da profundidade de Deus.
Para nos ajudar a entender a incomensurável distância que vai entre esses atributos divinos e o homem limitado, o salmista usou uma linguagem poética com referentes e objectos comunicáveis, que o nosso espírito e a nossa mente podem compreender.
Situa-nos, por assim dizer, num Átomo divino, numa pequeníssima parte das faculdades distintivas e únicas de Deus, contudo distante do pensamento humano e usa um termo que viria séculos depois, dizendo que «tal conhecimento (ciência) é maravilhosíssimo».
Tal «ciência» (na versão das nossas Bíblias) ou o que o salmista entende como tal, reflecte o que o termo hebraico ( da’ath) significa e amplia: conhecer ou saber acima de.
Introduz também o leitor crente nos domínios da relação de Deus com a Sua Criatura, o homem, e, segundo alguns autores, o homem crente, porquanto o Senhor está ao redor daqueles que o temem e sobre eles coloca a Sua mão
Não deixa, porém, de colocar a limitação do ser humano perante o Todo-Poderoso, ao pôr na boca do Eu poético estas palavras de resignação à condição humana: «Para onde me irei do teu Espírito ou para onde fugirei da tua face?» (vs.7)
Mais de vinte e cinco séculos depois da criação literária do Salmo 139, como uma produção do sentimento religioso, da inspiração espiritual e de uma categoria lírico-poética da literatura nacional hebraica, um bispo anglicano do século XX, John Albert Thomas Robinson, afirma que se trata de «uma meditação penetrante sobre a presença de Deus», no mundo que Ele próprio criou.
Escreveu para reforçar o que classificou de retorno ao que a Bíblia nos diz acerca da natureza de Deus, o seguinte: «É no salmo 139 que se encontra uma das meditações mais penetrantes, em toda a história da literatura, sobre o sentido e a presença de Deus. Nele perpassa, como em nenhum outro trecho, o sentido da maravilha suprema irresistível da omnipresença divina em todas as direcções – acima, abaixo, atrás e à frente.»(Um Deus Diferente, Morais Editora, 1967, págs. 70/1
É salmo que tem o locus classicus para a doutrina da omnipresença e da omnisciência de Deus.
Esta afirmação seria comum e resultante de uma normal análise de conteúdo do discurso poético do salmo em questão, não fosse ela pronunciada por quem foi, por isso não é um pronunciamento trivial.
A verdade é que, não sendo tal apreciação do bispo anglicano contestável, foi-o porém o seu autor enquanto uma totalidade personalizada numa marca teológica que colocava com honestidade intelectual e espiritual as suas dúvidas numa década especial, que foi a de 60.
«Às vezes, também eu me sinto assediado por estas dúvidas»- escreveu Robinson. No tempo em que se questionava se era de facto o vazio que muitos sentiam, «um vácuo em forma de Deus», especialmente na Europa pós-nazismo.
Tratava-se de um teólogo controverso e um dos criadores da teologia radical protestante dos anos 50 e seguintes. Não uma teologia heterodoxa, contrária ao Evangelho, mas radicada no que ele chamava um cristianismo de raiz ( daí o termo radical) que deveria chocar pelo radicalismo cristão, porque era, segundo ele e nós próprios ainda hoje, necessário apresentar o Deus da Bíblia ao homem hodierno que acha que não precisa de Deus, que Este está «lá em cima» ou em outro qualquer lugar e desinteressado dos problemas «cá de baixo», e do próprio homem.
Foi o mesmo teólogo e bispo de Woolwich, na Grã Bretanha, que proferiu um aforismo cristão genial, que a Igreja não deve estar tão longe do mundo que ninguém a ouça, nem tão dentro que não se distinga (citei de cor e sem referência).
A sua preocupação levou-o porém a defender algumas posições que acabaram por ser controversas, sustentando-se sobretudo no pensamento teológico de Rodolf Bultmann, que o homem secular já não admite que Deus é real nos nossos dias. E também que as Escrituras estão antiquadas quanto a fazerem compreender o ponto de vista de Deus presente no mundo tanto quanto Deus «lá em cima».
John A.T.Robinson marcou, de facto, o início da década de 60 ao radicalizar a teologia protestante e ao retomar a ideia luterana do Deus Absconditus.
Contudo, a partir do facto de que se trata de uma prova da presença de Deus no mundo, transcendente ao universo, mas imanente à Sua Criação, integra o salmo na sua mais polémica obra, Honest to God (Um Deus Diferente), de 1963, a contra-corrente, todavia como a mais perfeita doutrina da Omnipotência e da Omnisciência de Deus, que é o salmo 139.
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João Tomaz Parreira
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-Colaborador-
sábado, 19 de Dezembro de 2009
"A Subversão da Religião"
Sobre o Amor
Não existe um investimento seguro. Amar é ser vulnerável. Ame qualquer coisa e o seu coração irá certamente ser espremido e possivelmente partido. Se quiser ter a certeza de mantê-lo intacto, não deve dá-lo a ninguém, nem mesmo a um animal. Envolva-o cuidadosamente em passatempos e pequenos confortos, evite todos os envolvimentos, feche-o com segurança no esquife ou no caixão do seu egoísmo. Mas nesse esquife – seguro, sombrio, imóvel, sufocante – ele irá mudar. Não será quebrado, mas vai tornar-se inquebrável, impenetrável, irredimível. A alternativa para a tragédia, ou pelo menos para o risco da tragédia é a danação. O único lugar fora do céu onde você pode manter-se perfeitamente seguro contra todos os perigos e perturbações do amor é o inferno.
sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009
"Templo de Isis emerge das Águas em Alexandria"
"Ser César ou Nada"
quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009
"Sismo de 1755 Mudou a Vida de Voltaire"
quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009
O País no Sofá.
“A história não é um sofá, é um trampolim”. Esta é uma frase que ouvi há dias numa entrevista a uma das pessoas responsáveis pela organização da “Guimarães capital da cultura 2012”. Não é nova , a frase, nem sequer representa a inovação de conceitos que lhe estejam subjacentes. Todos o sabemos, de que sem a compreensão e aceitação do passado, do nosso passado, dificilmente conseguiremos projectar o futuro.
Guimarães, mesmo não sendo consensual, é assumida como o “berço” da nossa nacionalidade. Aceita-se ( ou não ) que daí se gizaram os planos de D.Teresa e depois D.Afonso Henriques, seu filho e primeiro rei de Portugal, para o alargamento do reino.
Do mal o menos, que nessa altura ainda se faziam planos e o reino tinha objectivos, mesmo que tais objectivos não passassem, principalmente, pelos interesses colectivos da nação e sim pelos do rei e de alguns cavaleiros, enquanto senhores feudais.
O que nos deve preocupar, actualmente, como nação, é a incerteza quanto ao nosso futuro, e não estou apenas a falar do futuro de um povo com uma identidade própria, mas sim da viabilidade de mantermos os fundamentos dessa identidade.
Vem isto a propósito de hoje, aos microfones da Antena 1, ter sido dito que Portugal está a resvalar perigosamente para níveis de pobreza que o atiram para uma 3ª divisão da Comunidade Europeia, atrás mesmo de alguns países, mais empobrecidos que nós, antes da sua adesão à C.E. há meia dúzia de anos. Pelos vistos, basta-nos saber que agora temos um novo tratado europeu que irá ficar na história com o nome da capital do país, Lisboa. No entanto, arriscamo-nos a que daqui por mais alguns anos nenhum cidadão europeu saiba muito bem de que país Lisboa é capital pela simples razão de que esse país se tornou de tal modo irrelevante que ninguém dará por ele.
Pelos vistos, temos aprendido muito pouco com a nossa própria história; e a nossa história, ao contrário do que os anais da generalidade dos reis nos falam, é feita mais de momentos menos bons do que de momentos bons, do ponto de vista colectivo.
Mas sobrevivemos e mantivemos, apesar de tudo, a nossa identidade. E é por isso que nos dói, ainda mais, constatarmos que, precisamente nos últimos 23 anos, Portugal se tenha perdido irremediavelmente na justa medida em que perdeu as oportunidades de desenvolvimento social e económico que lhe têm sido arremessadas de bandeja. Constatamos afinal que, ao contrário do que alguns historiadores, que defendem nunca ter o país passado por um verdadeiro feudalismo à semelhança da generalidade da Europa na idade média, o que tivemos sempre foi um “feudalismo” feroz e em que, nos últimos anos, os recursos que a Europa desenvolvida canalizou para Portugal caíram na mão de alguns “senhores feudais”, os mesmos que agora se insurgem contra o aumento de 25 euros ao salário mínimo nacional e não o querem aceitar, mesmo que isso represente um aumento irrisório e continue a fazer de Portugal um dos países com o mais baixo salário mínimo na União Europeia.
Ou seja: a história, em Portugal, foi sempre sofá e raramente trampolim, pelo menos para as sucessivas camadas dirigentes desde o 25 de Abril de 1974.
terça-feira, 15 de Dezembro de 2009
Desequilíbrio Espiritual
"Na espiritualidade desequilibrada, o que fica em primeiro plano é o moralismo. Logo de início apresenta-se uma ideia distorcida do relacionamento entre Deus e os seres humanos. Com os pais a criança aprende que existe uma divindade que desaprova a desobediência, as brigas entre irmãos e as mentiras. Quando vai para a escola, essa criança percebe que Deus está do lado dos professores com as suas exigências meticulosas. Na igreja, aprende que Deus tem outro conjunto de prioridades: aprende que ele não gosta de falta de crescimento numérico da congregação, da frequência irregular dos membros e das exigências financeiras que não estão a ser satisfeitas. Ao chegar ao ensino médio, ela descobre que Deus também está preocupado com a obsessão por sexo, com a bebida e com as drogas. Depois de vários anos de doutrinamento cristão em casa, na escola e na igreja, a criança, agora adolescente, percebe, com tristeza, que Deus foi usado como ameaça por todos os responsáveis pela sua educação - a exemplo do pai e da mãe que, já sem saber como lidar com as travessuras de uma criança, acabam com referências ao inferno ou a um castigo eterno. Através de um doutrinamento ignorante como este, Deus acaba por ser associado ao medo na maioria dos jovens corações."
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Decifrar os Mistérios da Bíblia
[ Titulo original do autor: "Decifrando os mistérios da Bíblia" ]
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“Agora vemos em espelho, de maneira obscura; então veremos face a face. Agora conheço em parte então conhecerei como também sou conhecido” (1 Coríntios 13:12).











